Um manequim feminino colocado ao centro de uma sala vazia. A
figura do corpo de uma mulher, neutro, inerte, sem cores, exposto ao olhar, à
análise, ao toque. Um corpo na vitrine diária dos julgamentos e violências,
como o de qualquer Bruna, qualquer Júlia, qualquer Maria. Esse corpo, literal e
concomitantemente alegórico, é o centro da instalação MARIAS. A obra da artista
plástica Carine Panigaz, com curadoria de Giovana Mazzochi, provoca a reflexão
sobre o feminino e suas violências cotidianas.
Visto de todos os ângulos, o manequim, arquétipo dos padrões
estéticos femininos, é composto por uma copa de arames e luzes que repousam
sobre a sua cabeça. Por ele, estão espalhadas partes femininas representadas
por plugues, enquanto nos pés e pernas, vemos um emaranhado de fios elétricos
amarrados, tendo nas suas extremidades conectores P10, simbolicamente
representando falos. O visitante é livre e encorajado a plugar os falos nas
partes femininas do manequim. Coxas, seios, vagina, bunda, costas, estão
passíveis de penetração. Cada vez que um visitante ousa inserir a ponta do cabo
no plugue, parte das luzes que compõe a copa da cabeça dessa mulher se apaga.
“Sempre que uma mulher sofre algum tipo de violência, algo
se modifica nela. Essas luzes estão ali para simbolizar essa mudança. É um
pedaço de vida que se apaga. Um falo introduzido sem consentimento é uma
violação. Todos os corpos são penetráveis, mas o da mulher é o que é
socialmente aceito como tal. Essa simbologia também está na obra”.
A instalação traz como camada sonora a narração de histórias
verídicas de mulheres que sofrem com a violência, física, psicológica ou
emocional no seu dia a dia. A obra também é ponto de partida para a produção de
um documentário que vai abordar a questão da mulher em diversos âmbitos
sociais.
MARIAS é um convite à reflexão, à intervenção, uma forma de
manifestação, uma luta artística e uma homenagem as mais de 11 milhões de
Marias que vivem no Brasil.
FILME: https://vimeo.com

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